Para iniciar um tema tão delicado, primeiramente preciso registrar: este é um tema recorrente e sempre será! Do lado da empresa, boas decisões relacionadas à remuneração podem ser a diferença entre falir ou operar de modo sustentável por longos anos. Do lado do Colaborador, a remuneração não é apenas o fator principal na relação de emprego, aliás, o que tem se mostrado o mais atrativo do que uma “boa remuneração” do ponto de vista do colaborador, é a capacidade da empresa de fazê-lo visualizar possibilidades de futuro e crescimento na empresa de acordo com seu desempenho, ou seja, possibilidades de ganhos salariais gradativos e constantes.

Manter o equilíbrio interno e adequar o interesse das pessoas às possibilidades de remuneração da empresa é um dos objetivos do Gestor de RH.

Nos últimos anos, o mercado brasileiro criou o que chamamos de “bolha de remuneração”. Com a escassez de mão de obra qualificada, as empresas fizeram de tudo para reter seus talentos e atrair novos talentos, com isso criaram uma “inflação” salarial, e agora com a retração do mercado de consumo brasileiro e a queda no desempenho de rentabilidade dos negócios, existe uma preocupação eminente: as empresas não estão conseguindo sustentar suas folhas de pagamento e antes mesmo das organizações entrarem no segundo semestres elas precisam parar para rever seus orçamentos.

Nos últimos 13 anos o mercado de consumo brasileiro cresceu com força, fruto de políticas econômicas e empreendedorismo de nosso povo. Entramos agora em uma fase de estabilização, ou seja, nos próximos anos a tendência é que o mercado brasileiro cresça pouco e gradativamente, movimento natural da economia. O problema é que as empresas adotaram políticas de remuneração focada apenas em pesquisas salariais de mercado e agora já percebem que terão dificuldades de pagar os salários dos colaboradores se mantiverem sua estrutura atual de folha de pagamento com o crescimento modesto dos mercados.

Recentemente tenho sido procurada pelas empresas exatamente pela preocupação inversa de dois anos atrás, ou seja, no passado recente o “cofre estava aberto”, as empresas preocupavam-se em implantar uma política de remuneração com valores salariais muito atrativos e agora, ao entrarmos nessa estabilidade econômica, o movimento é inverso: muitas empresas estão buscando rever a política, pois não sabem como tratar sua folha de pagamentos e já demonstram preocupação com demissões!

Ocorre que o mercado da remuneração, inflou assim como o mercado imobiliário brasileiro, ou seja, o preço dos imóveis elevou-se em níveis inimagináveis, a remuneração nas empresas também. O resultado para ambos foi: as pessoas não estão conseguindo comprar imóveis devido ao custo elevado desta aquisição e as empresas começam a demonstrar dificuldades em pagar os salários. Tão simples quanto isso!

A lição que aprendemos aqui é que a progressão de qualquer mercado, seja o imobiliário ou o mercado de trabalho, principalmente na questão remuneração, tem que ser gradativa, pois este movimento ocorrendo de maneira brusca irá gerar sequelas irreparáveis em curto prazo. Em português claro, isso significa: estagnação salarial futura, estagnação dos mercados por conta da não evolução salarial e por fim, desemprego. É isso mesmo!

Bem, é exatamente para evitar este “desespero” que a empresa precisa ter um plano de cargos e salários estruturado, com critérios técnicos e justos, preferencialmente utilizando métodos que privilegiem o equilíbrio interno, ou seja, sua possibilidade de arcar com seus compromissos salariais e não apenas métodos que foquem apenas o mercado, pois estes têm sido os grandes vilões de empresas que já apresentam dificuldades financeiras e falta de condições de arcar com sua folha de pagamentos.

Para facilitar o entendimento sobre a questão “remuneração”, preparei uma lista de dicas para empresas e outra para colaboradores. Estas dicas podem ajudar muito em sua decisão sobre um novo emprego e uma proposição salarial, podem ser a diferença entre demissões ou contratações.

Para as empresas:

  • Reveja seu plano de Cargos, Carreiras e Salários urgentemente;
  • Tenha preferência por metodologias que privilegiem o equilíbrio interno, como é o caso da metodologia de pontos Huczok Leme Consultoria;
  • Faça uma previsão da progressão da remuneração em sua folha de pagamentos para ao menos 05 anos. Caso o crescimento do negócio não seja compatível com a tabela salarial adotada na empresa, pule fora e reveja sua estratégia!
  • Análise a realidade econômica e a possibilidade de ampliação de seu mercado e compatibilize a condição de remuneração ao mercado em que sua empresa atua.
  • Perder colaboradores faz parte do mercado. A retenção só é válida se for possível pagar o salário mantendo sua empresa saudável. Reter a qualquer custo é uma estratégia suicida!
  • Pesquisas salariais do mercado são referenciais e não a regra do jogo.
  • Jamais confie em pesquisas salariais que considerem a “intenção” de ganhos dos candidatos. Muitas empresas de cadastramento de currículos via internet oferecem pesquisas salariais de intenção de ganho e não salários realmente pagos nas empresas.
  • O mercado é cíclico. Isso quer dizer que existem momentos de abundância de mão de obra e momentos de escassez. Nos momentos de escassez, não perca de vista sua estratégia. Ela será importante para a sobrevivência de seu negócio.

 

Para os colaboradores e candidatos:

  • Desconfie de salários muito acima da média do mercado. Empresas que pagam salários muito elevados são as que mais demitem no Brasil. Ao ser desligado você terá muita dificuldade em se recolocar no mercado de trabalho e acabará tendo que “rebaixar sua carteira”, como é popularmente conhecido. Fique esperto!
  • Promessas de salários elevados no curto prazo não existem! Mais vale um crescimento gradativo e constante do que crescer rápido e ter emprego por pouco tempo.
  • O valor de uma Função no mercado deverá ser sempre compatível com o ganho que a empresa tem. Se o salário está muito acima tem algo errado e pode ser um emprego de curto prazo que irá gerar frustração em você.
  • Existem profissões que pagam melhores salários e profissões que pagam salários mais modestos. Quer crescer na carreira: estude bastante, foque o seu autodesenvolvimento, tenha um desempenho acima da média.
  • O crescimento de massa salarial saudável é aquele que é gradativo. Acredite: se veio rápido, vai embora rápido!


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