Artigo: Tabuleiro como função cultural | Leme Consultoria

Artigo: Tabuleiro como função cultural

Texto sobre dinâmicas e sua importância nas atividades organizacionais e educacionais

Por: Paula Falcão

Desde os primórdios da civilização, a cultura sempre surge sob a forma de jogo. Desde o início ela é “jogada”, pois jogar está na essência do aprender. Toda criança joga para aprender e, portanto não há como separar jogo de conhecimento. Nas culturas mais primitivas isto ficava bem claro, pois mesmo as atividades que visavam a satisfação das necessidades mais imediatas, como por exemplo, caçar, tendiam a ter uma forma lúdica, de brincadeira.

Segundo Johan Huizinga, um dos mais eminentes estudiosos do jogo do século passado, autor do livro “Homo Ludens”, a evolução de uma cultura se dá da seguinte maneira:

1. A necessidade de aprender algo cria um elemento lúdico que facilite este aprendizado (por exemplo: a necessidade de correr rápido cria competições de corrida).

2. Quando a forma utilizada se comprova eficaz o jogo passa para segundo plano e o conhecimento se cristaliza sob diversas formas de saber: folclore, poesia, filosofia, ciência, política, etc…

Isto não tira a fascinação do jogo, já que a cada vez que o desafio cultural é maior temos que voltar ao passo 1. Huizinga considera que a maior fascinação do jogo sempre vem de dois elementos básicos: tensão e incerteza. Sempre está presente a dúvida quanto a dar certo ou não. Quando essa dúvida não mais existe, cessa a necessidade do jogo e aquele conhecimento é absorvido pela cultura.

Quanto mais “difícil” é o jogo, maior a tensão entre aqueles que o assistem. E quando um jogo além de ser lúdico também representa o belo, tem um enorme valor cultural agregado, tanto como gerador de conhecimento quanto como um exemplo vivo da cultura de sua época e lugar.

Neste ponto, os jogos de tabuleiro são imbatíveis: além de todos os elementos lúdicos que constam em todos os tipos de jogos, o jogo de tabuleiro pode ser uma obra de arte.

Dois dos mais antigos jogos de tabuleiro conhecidos são Mancala e Senet. Ambos se referem a atividades agrícolas, jogados com sementes e outros materiais naturais. Seus tabuleiros podem ser belíssimos, mas sempre extremamente rústicos, muitas vezes escavados no próprio solo, como os inúmeros exemplos de tabuleiros de mancala encontrados na cidade de Petra, aquela de “Indiana Jones e o Cálice Sagrado”.

Tanto o mecanismo do jogo quanto seu design denotam uma época e uma cultura.
Vamos falar um pouco de xadrez. O objetivo do jogador é matar o rei e conquistar todos os territórios, usando para isto uma infra-estrutura social rígida (peões, torres, cavalos, bispos, rainha) que pode e deve ser sacrificada quando vale a pena. Será que isto tem alguma relação com a cultura medieval? E o estilo do tabuleiro e das peças?

E o famoso e multimilionário Banco Imobiliário, o jogo de tabuleiro mais vendido de todos os tempos? Ora, o objetivo final do Banco Imobiliário é ganhar o máximo de dinheiro possível, levando todos os outros jogadores à falência. Isto é feito basicamente através de investimentos no ramo imobiliário e compra de empresas. O jogo totalmente industrializado, fabricado em massa para ser vendido para multidões.


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Algo a ver com a cultura do século XX?

Agora, chegamos ao nosso próprio tempo, início do século XXI. O que temos como desafio da sociedade? Tempo… Tudo acontecendo muuuito rápido! E os jogos de tabuleiro de terceira geração estão com durações cada vez menores, com desafios mais abrangentes e que exigem dos jogadores uma flexibilidade e capacidade de adaptação bem maior do que os jogos de tabuleiro de primeira e segunda gerações. Será que este não é o desafio com que a nossa cultura está se deparando agora? Regras diferentes, começam a aparecer jogos de tabuleiro cooperativos exatamente no momento em que o mundo pede por uma alternativa para o sistema predatório vigente.

Alguns jogos onde fica mais explícito que nunca que estamos em um dilema ético, como o “Funny Friends”. Jogos em que se busca a estratégia mais simples e perfeita, como o Tsuro, minha ultima paixão pessoal, e outros com estratégia extremamente complexa. São os desafios do nosso tempo, a busca por soluções.

Enquanto estiverem nos jogos ainda estarão sendo implantadas na sociedade, não totalmente estabelecidas.
Então, para terminar, uma reflexão: quais são os jogos que você gosta de jogar? Quais são as soluções e culturas que você, inconscientemente, está trazendo para a nossa sociedade?

Extraído do site: Ilha do Tabuleiro (http://www.ilhadotabuleiro.com.br)


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